Meu grito, para muitos, soa pleno, verdejante. Como a selva amazônica, aparenta ser um labirinto do qual, o entrar, espontâneamente, não mais se quererá sair.
Mas ao estudá-lo mais profundamente, ao adentrar tão belo bosque, e ir, aos poucos, nele se perdendo, a ele se entregando, bate desespero inigualável!
Primeiro é o solo, que, daquela terra úmida, gostosa, vai se esvaindo, virando terreno arenoso. Depois é a vez da vegetação, hora bela e cheirosa, que vai murchando, involuindo. Até que, por fim, o sol escaldante de um mórbido Saara toma conta, e nem o grito nem o vento se ouvem. Vazio.
Porém, já é tarde, já se ama tanto o bosque, que o deseto, que vem por consequência, também é amado.
E aos poucos tu entenderá, minha divina, que cabe a ti, e só a ti, regar, com teu carinho, meu deserto. Que está em suas mãos o poder para transmutá-lo floresta novamente, enchendo meus rios, avivando meu fogo.
Quando entenderdes, limparei, como outras vezes já limpei, toda erva daninha que em nosso bosque ousar nascer, até que estas, por desistência, retirem-se por completo. Aí então, e tão somente após tudo isso, estaremos livres para viver a vida, propriamente dita.
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